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Retrato Contado
"Conte-me seu retrato, que eu irei te mostrar o meu, mas vou contar do meu jeito, o modo como você irá interpretar é julgamento seu." - Aline Lopes
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Se até o céu
Com toda a sua beleza e grandeza
Chora para se limpar,
Se abrir para ficar mais bonito depois.
Por que você, menina,
Não faz isso também?
Te fará bem.
- Kely Campos
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Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8º andar. Onde a dona Maria mora, porque ela me adora e eu sempre posso entrar, era bem o tempo de você chegar no T olhar no espelho o seu cabelo, falar com o seu Zé, e me ver caindo em cima de você como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer. E ai, só nos dois no chão frio, de conchinha bem no meio fio, no asfalto riscados de giz. Imagina que cena feliz. Quando os paramédicos chegassem e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon, a gente ia para o necrotério ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom. Cada um feito um picolé, com a mesma etiqueta no pé. Na autópsia daria pra ver, como eu só morri por você. Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8° andar. Invés disso eu dei meia volta e comi uma torta inteira de amora no jantar.
- Clarice Falcão.
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Ele escolheu não sentir. Simples assim, frio assim, como quem escolhe uma roupa de manhã. E ele sempre achou isso o máximo, certo de que era muito forte e que ser completamente racional era motivo pra medalhas. De longe eu pude ver ele atrapalhado entre os escudos, todo aquele teatro podia convencer muita gente, mas eu sempre soube que sentir não era uma opção e que tinha muito por baixo de toda aquela capa mal remendada. E tinha mesmo, uma pessoa linda, eu juro. Bem, bem escondida, trancada debaixo da cama, como aqueles monstros da infância. Acho triste, covarde e solitário. Fraqueza demais deixar uma pessoa te matar por dentro. Ele se via o herói de Troia, eu via um guerreiro medroso abaixando a espada pro primeiro bandido. E, por coincidência, teste ou algum tipo de missão, sou casa pra esse tipo de gente que se embaralha todo com essa coisa de sentir e acha mais prático ou cômodo se bloquear. E eu, todo atrapalhado por natureza, tenho que ficar ensinando, arrumando, resgatando, me bagunçando. Enfim, sou jogado no campo de batalha, sem aviso, sem nem que eu perceba. Só que, instintivamente, não sou do tipo que recua, meu ataque não é agressivo e isso, por incrível que pareça, assusta bem mais que uma estratégia friamente calculada ou uma fuga de mestre. Quem vive se escondendo atrás de uma máscara não suporta a ideia de alguém descrevendo e percebendo cada gesto por trás, tudo que é tão rigorosamente protegido e escondido. Tem gente que não quer ser resgatado e eu sou livre demais pra viver com alguém prisioneiro. Tecnicamente, não ganhei a batalha. Sinceramente, não fui eu que perdi.
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Mathew, 6 anos: Amor é quando alguém te magoa, e você, mesmo muito magoado, não grita, porque sabe que isso fere seus sentimentos.

Rebecca, 8 anos: Quando minha avó pegou reumatismo ela não podia se debruçar pra pintar as unhas dos pés desde então é meu avô que pinta pra ela mesmo ele tendo artrite.

Karl, 5 anos: Amor é quando uma menina coloca perfume e o garoto põe loção de barba do pai e eles saem juntos e se cheiram.

Lauren, 4 anos: Eu sei que minha irmã mais velha me ama, porque ela me dá todas as suas roupas velhas e tem que sair para comprar outras.

Tommy, 6 anos: Amor é como uma velhinha e um velhinho que ainda são muito amigos, mesmo conhecendo-se há muito tempo.

Billy, 4 anos: Quando alguém te ama a forma de falar seu nome é diferente.

Chrissy, 6 anos: Amor, é quando você oferece suas batatinhas fritas sem esperar que a pessoa te oferece as batatinhas dela.

Bobby, 5 anos: Amor é o que está com a gente no Natal, quando você pára de abrir os presentes e os escuta.

Nikka, 6 anos: Se você quer aprender a amar melhor, você deve começar com um amigo que você não gosta.

Samantha, 7 anos: Amor é quando você fala pra alguém alguma coisa ruim sobre você e sentimento que essa pessoa não ame mais você por causa disso ai você descobre que ela continua te amando e ate te ama mais ainda.

Jenny, 4 anos: Há dois tipos de amor, o nosso amor e o amor de Deus, mas o amor de Deus junta os dois.

Chris, 8 anos: Amor é quando mamãe vê o papai suado e mal cheiroso e ainda fala que ele é mais bonito que o Robert Redford.

Cindy, 8 anos: Durante minha apresentação de piano vi meu pai na plateia me acenando e sorrindo e era a única pessoa de quem eu não sentia medo.

Noelle, 7 anos: Amor é você falar pro menino que camisa linda voce ta usando e daí ele passa a usar a camisa todo dia.

Jessica, 8 anos: Não deveríamos dizer eu te amo a não ser quando realmente o sintamos. E se sentimos, então deveríamos expressá-lo muitas vezes. As pessoas esquecem de dizê-lo.

Patty, 8 anos: Amor é se abraçar, amor é se beijar, amor é dizer não.

Mary Ann, 4 anos: Amor é quando seu cachorro lambe sua cara, mesmo depois que você deixa ele sozinho o dia inteiro.

Karen, 7 anos: Quando você tem amor por alguém seus olhos sobem e descem e pequenas estrelas saem de você.

Max, 5 anos: Deus poderia ter dito palavras mágicas pros pregos caírem do crucifixo mais ele não disse, isso é amor.

- (via scllard)
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Aqui, escuta-me baixinho, enquanto as estrelas explodem no céu: eu amo você, eu amo você. Enquanto as guerras fazem mortos e o ser humano morre lentamente, engolindo a dor e fazendo dela vômito: eu amo você, eu amo você. Nos livros de clarice, nos contos do caio, no drama de bukowski, na fala de quem não tem o que comer, naquilo que é inverdade, no arco-íris preto e branco: eu amo você, eu amo você. Com a solidão sussurrando mentiras e o vazio exaurindo meus espaços; com a náusea fazendo presença e a incompreensão batendo na porta: amo você, eu amo você. Na paz que deixou de existir e na esperança carregada nos olhos daquele que está ferido: eu amo você, eu amo você. Porque os dias estão atribulados e o peso é grande demais para que eu aguente sozinho. Eu tenho você e repito que é amor, que é consolo, que é abrigo, quase que como um mantra para que eu jamais me esqueça da sua presença me invadindo quando me queixo demais pois me sinto só. Porque os carros da cidade buzinam insolência e eu só preciso me aninhar no teu abraço e fazer dele minha casa. “Pode lar ser uma pessoa e não uma casa?” e pode sim, teu corpo é minha moradia contra trovoadas e chuvas ácidas e teus braços são montanhas na qual eu descanso, alívio. Porque eu te amo demais até quando tropeço no meio da rua e até as pedras, meu bem, até as pedras sabem o motivo dos meus sorrisos. Nos furacões norte-americanos e nos tsunamis japoneses, nas ilhas inalcançadas e nos desabrigos da alma: eu amo você, eu amo você, eu amo você.
- Floresinexatas.
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Sempre fui uma tímida muito ousada.
- Clarice Lispector.
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Promete que não conta a ninguém? Certo, eu tinha este sonho seguidamente. Eu ficava esperando muito tempo, até que o ônibus finalmente chegava. Eu estendia a mão, ele parava, e quando eu levantava o olhar pra checar a lotação, eu via você. Quer dizer, um cara. Mais ninguém, só você. E eu sabia. Simplesmente sabia que era você, que era ele. Que era minha vez de subir, que tinha um assento reservado com meu nome. Mas eu ficava paralisada, com vergonha e sem saber como agir, sem saber onde pôr as mãos. No fundo, eu tinha medo de subir porque eu teria de tomar a iniciativa, chamar atenção, fazer alguma coisa que fosse. Era mil vezes mais confortável enquanto eu esperava, esperava, esperava. Aí o ônibus arrancava e você, esse cara, girava o pescoço e ficava olhando pra trás, uma carinha linda de cão abandonado, até sumir na esquina. E eu ficava lá, parada, com os pés encravados no chão, vendo minha chance passar. Aí eu acordava ensopada de suor e me achando a mais covarde do mundo.
- Gabito Nunes.